Mundo: Turquia diz que CoronaVac tem 91,25% de eficácia contra o novo coronavírus

A Turquia divulgou nesta quinta-feira (24) que a vacina CoronaVac teve eficácia de 91,25% contra o novo coronavírus em uma análise preliminar dos resultados. Entretanto, além do anúncio, o estudo completo não foi apresentado.

O dado não foi comentado pela desenvolvedora da vacina e nem pelo Instituto Butantan.

A CoronaVac é desenvolvida pela chinesa Sinovac, que tem acordo com o governo de São Paulo. O Instituto Butantan coordena os testes no Brasil e já trabalha na produção do imunizante a partir de matéria prima recebida da China.

Em nota divulgada após o anúncio da Turquia, o Butantan disse "que não comenta informações relativas a contratos da Sinovac com outros países".

Na quarta-feira, o governo paulista tinha a previsão de anunciar a eficácia da vacina, mas a divulgação foi adiada a pedido da fabricante chinesa. Nesta quinta, o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que a eficácia medida nos testes no Brasil é "bem superior" ao mínimo de 50% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os dados divulgados pelo governo turco em coletiva de imprensa sinalizam que os percentuais estão relacionados a uma "análise interina", ou seja, a uma avaliação parcial dos resultados. Sites locais apontaram que o governo divulgou que houve 29 casos de Covid-19 em um universo de 1,3 mil voluntários (3 casos entre os que tomaram a vacina e 26 no grupo que tomou placebo).

No Brasil, o Butantan declarou em 23/11 ter alcançado o mínimo de infectados para abrir a análise interina (eram necessários ao menos 61 casos de Covid-19 ocorressem entre os 13 mil voluntários, e na data já havia 74). Apesar disso, na ocasião, os pesquisadores brasileiros não divulgaram os percentuais de eficácia e preferiram aguardar a continuidade dos estudos.

A Indonésia, que também testa a vacina, chegou a divulgar no começo do mês que tinha verificado 97% de eficácia. Mas depois precisou se retratar, dizendo que os dados só estariam disponíveis em janeiro.

A doutora em neurociências e divulgadora científica Mellanie Fontes-Dutra, que faz pós-doutorado em bioquímica na UFRGS, aponta que as primeiras informações vindas da Turquia parecem de fato estar relacionadas a resultados preliminares do estudo de fase 3.

"Realmente parece ser o caso de uma análise interina. Mas são só hipóteses, a gente tem muito pouca informação e é isso que a gente está supondo", explicou Mellanie.

"São dados interessantes, mas preliminares. Mais eventos (pessoas infectadas entre os voluntários) precisam ser analisados em uma população maior de participantes para poder prosseguir a avaliação até a análise final de eficácia", explicou a especialista.

De acordo com a agência de notícias Reuters, os pesquisadores turcos sinalizaram que os testes continuam e eles disseram que é "provável que a taxa aumente com base em dados de testes em estágio avançado".

Os pesquisadores, que integram o conselho científico do governo, afirmaram que nenhum sintoma importante foi detectado durante os testes da CoronaVac na Turquia, exceto por uma pessoa que teve reação alérgica.

A agência de notícias Associated Press relatou que o ministro da saúde da Turquia, Fahrettin Koca, ressaltou que os dados divulgados por eles são os primeiros já divulgados sobre a CoronaVac. No país, os testes envolvem 7.371 voluntários.

A Turquia comprou 50 milhões de doses da CoronaVac em 11 de dezembro, mas o embarque foi adiado. O ministro Fahrettin Koca disse que as vacinas chegarão à Turquia na segunda-feira (28), acrescentando que o país irá vacinar cerca de 9 milhões de pessoas do primeiro grupo, começando pelos profissionais de saúde.


Fonte: G1.globo.com
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