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| Foto: Arianne Ribeiro / Bahia Notícias |
“Nenhuma a menos”, essa é a frase que dita as manifestações populares em torno do combate à violência contra a mulher em todo o país. E o posicionamento exibe uma realidade cruel com corpos femininos: em um cenário em que o Brasil registrou o maior número de feminicídios dos últimos 14 anos em 2025, com 1.568 vítimas em todo o país, o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 08 de março, ganha um sabor amargo.
Na Bahia, o cenário não é tão diferente. Segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o estado registrou 102 vítimas de feminicídio, ainda que isso represente uma leve queda de -7,27% em relação ao ano de 2024. Em resposta a estes números, a Polícia Civil da Bahia lançou, por meio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV), a campanha “Nenhuma a Menos”, com o objetivo de unir a rede de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher e a sociedade contra o feminicídio na Bahia.
É nesse cenário que o Bahia Notícias conversou com Juliana Fontes, delegada da Polícia Civil e diretora do DPMCV, para compreender quais as especifidades da violência de gênero na Bahia e como se dão as ações de segurança em torno do tema. Em entrevista, a servidora de carreira da polícia destacou que o Departamento de Proteção a Mulher, criado em 2023, é justamente uma das atualizações da Secretaria de Segurança Pública no combate a crimes direcionados a mulheres e outros grupos vúlneráveis.
“O Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis, que é um departamento recém-criado pelo Governo do Estado e esse departamento é um departamento bastante amplo. O meu trabalho hoje é direcionar os 417 municípios do Estado da Bahia na pauta das mulheres, crianças, adolescentes, idosos, racismo, questão de intolerância religiosa, população LGBT, enfim, todas as pessoas em situação de vulnerabilidade”, explica.
Ao falar sobre o cenário da violência contra a mulher na Bahia, a delegada destaca que a violência psicológica ainda é uma questão latente entre os registros, especialmente considerando violências motivadas por fins de relacionamentos amorosos.
“Na Bahia, o crime que predomina nos registros de ocorrências nas nossas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher é o crime de ameaça. São os homens que não aceitam o fim do relacionamento e que quando acaba uma relação que dizem ‘se você não for minha, não vai ser de mais de ninguém’. Então, a ameaça, em primeiro lugar, é o crime que mais acontece”, contextualiza titular do departamento.
